BRAZ CUBAS
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9 de abril de 2026
Sintomas como os vistos na “xepa” do BBB acendem alerta sobre os riscos de uma alimentação restrita
Especialista da Braz Cubas explica como a limitação de alimentos e ausência de fibras podem provocar alterações no organismo
A alimentação restrita da “xepa” no Big Brother Brasil tem chamado a atenção do público não só pela limitação de alimentos, mas também pelos possíveis impactos na saúde dos participantes. Sintomas como dor de cabeça, alterações intestinais e episódios de mal-estar, frequentemente comentados dentro do programa, levantam um alerta sobre os riscos de manter uma dieta pouco variada e com baixo valor nutricional por longos períodos.
De acordo com Sara Priscila Barbosa, coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário Braz Cubas, manter por meses uma alimentação baseada em alimentos muito gordurosos, como rabada, e sem acesso regular a vegetais e frutas pode causar constipação, fissuras e até sangramento nas fezes, além de aumentar a inflamação no organismo e provocar deficiência de vitaminas e minerais. Como consequência, podem surgir sintomas como dor de cabeça, fraqueza, irritabilidade, queda de imunidade e problemas gastrointestinais.
A ausência de fibras — encontradas em frutas, verduras, legumes, grãos e sementes — compromete diretamente o funcionamento do intestino, podendo causar prisão de ventre, gases, distensão abdominal e esforço ao evacuar, além de alterar a microbiota intestinal. Com o tempo, esse desequilíbrio pode aumentar processos inflamatórios e prejudicar a absorção de nutrientes, impactando diferentes funções do organismo.
Além disso, a falta de frutas e vegetais afeta diretamente a imunidade. “Esses alimentos são fontes importantes de vitaminas, minerais, antioxidantes e fibras que ajudam o corpo a produzir células de defesa e a reduzir inflamações. Quando há deficiência desses nutrientes, o organismo pode ficar mais vulnerável a infecções, apresentar pior cicatrização e sensação constante de cansaço”, explica.
A especialista também destaca que os primeiros sinais de uma alimentação desequilibrada costumam ser silenciosos, mas recorrentes, como cansaço frequente, dor de cabeça, queda de energia, intestino irregular, irritabilidade, aumento da vontade por doces, inchaço abdominal e dificuldade de concentração. Muitas vezes, esses sintomas são associados ao estresse, mas podem ser um indicativo claro de que o corpo está com carência de nutrientes.
Os impactos variam de acordo com o tempo de exposição a esse padrão alimentar. No curto prazo, é comum o surgimento de indisposição, alterações intestinais e queda no rendimento físico. Já a longo prazo, o cenário pode evoluir para deficiência de vitaminas e minerais, enfraquecimento da imunidade, alterações no colesterol, aumento da gordura visceral e maior risco de inflamações e resistência à insulina.
Outro ponto de atenção é o consumo frequente de alimentos gordurosos, que também pode afetar energia, humor e disposição. Isso porque a digestão tende a ser mais lenta, gerando sensação de peso e sonolência, além de contribuir para oscilações de energia ao longo do dia. “Quando há baixa ingestão de nutrientes essenciais, o impacto não é só físico — o cérebro também sente, podendo haver irritabilidade, ansiedade e falta de motivação”, completa.
Nesse contexto, a especialista reforça que, mais do que o excesso de gordura, a falta de variedade alimentar é um dos principais fatores de risco, já que o organismo até consegue lidar com períodos de maior consumo de gordura, mas não funciona adequadamente sem fibras, vitaminas e minerais. “Essa deficiência compromete o intestino, a imunidade, a energia e o equilíbrio metabólico como um todo”, conclui.