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educacional | 20 de maio de 2022

Slow e Fast Fashion: entenda os conceitos da moda e seus impactos no meio ambiente, na sociedade e na economia

Adriana Yumi Sato Duarte, professora de Moda do CEUNSP, explica a diferença do consumo entre esses movimentos e a mudança do comportamento do consumidor

O consumidor da atualidade tem mudado e está se tornando consciente diante da mercadoria que compra e os possíveis impactos que este produto tem no meio ambiente e sociedade. Junto com essas mudanças, o mercado da moda vem se adaptando, inclusive, com novos conceitos na indústria têxtil.

Dois movimentos em alta são o Slow e Fast Fashion, mas muitas pessoas ainda não entendem as diferenças do consumo entre esses conceitos. Pensando no cenário, Adriana Yumi Sato Duarte, professora de Moda do Centro Universitário N. Senhora do Patrocínio (CEUNSP), explica o que são e seus impactos na sociedade.

“O Fast Fashion é a produção rápida e com o menor custo possível (incluindo matéria-prima e mão-de-obra) de peças de roupas, surgiu a partir da aceleração do consumo em geral. Este formato, tem relação direta com o comportamento do consumidor, e é consequência da forma como a sociedade se organiza”, aponta Adriana.

Segundo a professora de moda, a aceleração do consumo é uma das premissas do Fast Fashion, e impulsiona um ciclo de compras. “Ou seja, as pessoas demandam mais produtos para consumir, usam por pouco tempo ou uma única vez, descartam e compram produtos novos. As indústrias deste movimento, por sua vez, conseguem atender essa demanda produzindo de forma rápida, com menor custo possível, sem compromisso com a qualidade do produto”.

Já o Slow Fashion é um conceito adaptado do Slow Food na década de 1990. Esse visa desacelerar os processos de consumo e produção, fazendo com que os consumidores entendam a dinâmica de produção de uma peça de roupa, tenham consciência ambiental e ética, permitindo que os fabricantes tenham coleções diversas em escala pequena e média.    

Adriana ressalta ainda que muitas marcas mundiais estão decretando falência como reflexo do movimento Slow Fashion. “Isso está acontecendo, pois, os consumidores estão cada vez mais atentos ao processo produtivo, conscientes de seu papel como reivindicadores de melhores práticas e mais bem informados sobre as marcas. Além disso, pesa na relação com as grandes marcas a identificação, ou seja, muitos consumidores querem se reconhecer na marca (seja no estilo, nas peças publicitárias, entre outros) e rejeitam àquelas que não atendem a esses requisitos”, diz. 

Um ponto importante no mundo da moda atualmente é não só pensar na venda, mas também em suas promoções, como sustentabilidade, representatividade e automaticamente na sociedade. “Os movimentos da indústria têxtil podem impactar dimensões sociais, culturais e ecológicas no planeta, e ao promoverem a sustentabilidade trazem benefícios para os trabalhadores da cadeia têxtil e de confecção, para a produção local e distribuição das peças sem intermediários, pela construção de uma nova imagem de moda – mais coletiva, ecológica e responsável – e pela transparência dos impactos que a cadeia produtiva gera”, ressalta.  

Além das marcas pensarem nestes novos conceitos para reduzir os impactos no meio ambiente, as pessoas também têm grande poder durante a escolha de seu consumo.

“Existem diversas possibilidades para uma compra sustentável. Lojas, sites de segunda mão e brechós, transformação das peças existentes em novas por meio de upcycling, customização etc, e principalmente informação. Como também fazer pesquisas da conduta da empresa com relação aos impactos gerados, ao tipo de produção e às iniciativas socioambientais”, orienta Yumi. 

Por fim, a docente de Moda do Ceunsp enfatiza que o consumo de moda está mudando. “Não somente quem consome, mas também quem produz – está passando por um momento de reflexão e questionamento do seu papel na dinâmica global. Hoje, sabe-se mais sobre os impactos ambientais e sociais dessa cadeia produtiva e em tempo real, aumentando o alcance das informações e possibilitando grandes mobilizações e movimentos coletivos para mudanças de comportamento”, finaliza. 

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